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Monday, July 27, 2009

Para o ano há mais

Acabou. O mercado medieval de Óbidos acabou.

Quem me conhece sabe o quanto isto significa para mim. Não é o castelo. Não é a feira. Não são os amigos. É um todo conjunto de forma mágica indescritível. É um fervor de sentimentos que só quem o sente sabe. E foi um semana de sentimentos.

Foi difícil e, agora, mesmo assim pergunto-me como já passou uma semana. Pareceram os dias mais lentos da minha vida, e agora foram senão um sopro. Acabou.

Hoje foi especial.

Começou ontem, comigo a querer ir cedo para aproveitar. Hoje, porém, quando me levantei a minha opinião mudou. De Lisboa veio que nem uma estrela cadente ( WINK ) a minha Patty para me tirar de casa. Literalmente. Chego lá e parece que está frio, e ela a irmã estavam de partida. Chegou para o cumprimento, apesar de ter pena de não poder ter partilhado opiniões e ter feito uma visita guiada. Já tenho umas quantas histórias para contar. Daquelas à velho que ninguém se interessa, mas, ás vezes, quando ditas no próprio local até podem chegar a interessar.

Foda-se, estou velho.

Foi bom. Conheci quem queria conhecer, e isso é sempre bom. Resta o futuro. É tudo uma puta duma piada afinal.

Os meus cumprimentos a quem esteve comigo e com quem bebi, a quem me saudou, a quem me ouviu e a quem comigo desabafou, a quem partilhou e ouviu histórias, e a quem riu e a quem chorou.

É como disse, uma semana de sentimentos. É isto a vida, e aconteceu mais dela, na brincadeira, do que a muitos por vezes no dia-a-dia.

Espero que não, mas suspeito fortemente que esta seja a minha última visita a feiras este ano... mas gostava de ir a Santa Maria da Feira ou Castro Marim. Ficam as saudades, os abraços e os risos. Quando menos esperamos acabamos sempre por nos encontrar, e aí os anos passam a dias.

Pena pela ausência da Cátia. Quando vai ser o re-encontro? Entre aqueles breves minutos já lá vão anos.
Tenho de me ir. Amanhã tenho de estar em Lisboa cedo.

Esqueci-me de perguntar pela data de aniversário da Pipas. Praga. Peste. Monstrinha.
Raio da miúda. Já tenho saudades.

Obidos, Parte 4

Nem sei porque estou a numerar isto, a parte 2 nem 2 era. Estúpido. Aqui vão as memórias do dia a seguir.



Se ontem estava no inferno, então hoje será o purgatório. Isto está tudo ao contrário. O dia passou com chuva, acompanhada por nortadas. Digo purgatório pois na rua não vi vivalma. Ninguém. Nada. Nem um da dezena de cães e gatos que por aqui vagueiam. Nem um ladrar. Todas as demais pessoas desta terra desapareceram.

Já regressado a casa, deparo-me com a luz a ameaçar faltar, constantemente a desligar-se e a voltar imediatamente. E tocam à campainha.

Era um gajo dos telefones, a perguntar se ainda pagava o aluguer de telefone à PT, e se não queria mudar. Da Optimus acho. Foda-se. Só podem estar a gozar. Odeio isto em casa, e sai-me isto na rifa no primeiro dia que aqui passei? Mas a Optimus tem telefones fixos sequer?

Eventualmente, após o jantar e quando a noite já estava quase em pleno, começo a tirar um café. Falta a luz, mas não regressa logo. Foda-se. E… regressa. Siga tirar o café! E falta outra vez. FODA-SE. E volta. Aí cabrão se te apanho, só podes estar a gozar. Lá sai o café e a luz vai-se de vez.

Fui ao carro buscar a minha espectacular lanterna de mola para emergências e fui-me entreter a ver o mapa de Portugal, em particular o percurso pelo qual tenciono acampar daqui a umas semanas, tentando recordar os locais onde já estive. Em termos de imagens, recordo-me bem de muita coisa, mas já os nomes… enfim, vocês sabem. Sentia-me um bocado como num filme antigo. Frio, chuva, lanterna, mapa antigo meio enrolado e café. Só faltava estar no meio da neve ou dentro de uma tenda e era um anúncio de televisão.

Acabei de acordar do que foi para aí a minha terceira sesta. Dormi 11 horas a noite passada e, tirando respirar, as refeições e andar um pouco, pouco mais fiz. Pior, com as sestas a coisa deve ter passado as 15 horas.

A minha tia diz que as nortadas são um vento suicida, coisa que encarei na brincadeira, mas a verdade é que o tempo cheira a morte. Uma podridão de vazio que impede o pensamento. Nem o cérebro nem o corpo cooperam, excepto na vontade de fechar os olhos. Talvez seja isso que estou a precisar. Aliás, ainda nem meia-noite é e acordei há bocado desta minha última sesta. Estou deitado, cansado e com sono. Custa-me escrever, mas receio acordar daqui a poucas horas, acabando por trocar os meus horários todos. Amanhã abandono este retiro, mas suspeito que o tempo não irá melhorar. Talvez para o fim-de-semana, mas mesmo aí duvido.

Esqueci-me de algo ali atrás: a custo, lavei o carro. Ainda não tinha guardado a mangueira e já tinha começado a chover.

Nada de jeito digo. Esperemos por amanhã.

Obidos, Parte 2

Nem estava em Óbidos, mas OK! Cá vão 2 updates num. Isto é mais para mim que outra coisa anyway.

A saída da rotina fez-me sede de escrever e deparei-me com dois factos. Em primeiro que provavelmente é a primeira vez que tenho de facto escrito algo sobre mim, sobre os meus viveres e certos dissabores, por muito vagos que possam ser — os maiores pormenores ficam para os mais próximos. Já o tinha feito antes, mas nunca com um sentimento como o presente. Nunca senti uma real necessidade de me expor desta maneira. É um desabafo, para ver se não me esqueço das minhas próprias imbecilidades. Em segundo, se leres isto acho que percebes. Nunca o fiz e tinhas razão, fui uma besta. Criancices de quem fala com o rei na barriga. “Then it all crashes down, and you point your finger but there’s no one around.” Dei demasiado valor às coisas erradas, admito. Estes dias estão-me a mostrar isso. Minto. Hoje percebi isso. Já lá vão 3 anos desde que me o disseste, tenho-o por escrito, mas não o li. Li o suficiente para não o esquecer, apenas isso. Infelizmente, apenas isso. Jamais a vou esquecer.

Já não sei o que digo.



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Não consigo dormir. Estou farto de viver por hoje, mas nem o cansaço interrompe o barulho na minha cabeça. Recordo o que o David disse ontem em casa do Fred, sobre como quando chutou a bola para a bóia em forma de pato em anel e lá a enfiou à primeira tentativa, e como quando no momento do chuto ele sabia que ela ia entrar. Tão simples quanto isso. É mais do que acreditar, mas abaixo de prever. Um sentimento inexplicável de “é agora”, de que naquele local, naquele momento, aquilo devia ser feito. E acontece, sem nada de miraculoso ou extraordinário. Simplesmente acontece porque tinha de acontecer. A perfeita sintonia da acção com a corrente do caos.

Esta sucessão de eventos faz-me sentir isso. É isto. É assim, e assim tem de acontecer.

Não quero ser pessimista, mas isto vai acabar mal.

Quarta 22, 2 horas da manhã.

Estou agora no Reguengo Grande em visita à minha tia. Sempre gostei de cá vir — é um sítio sossegado e com poucos moradores. Provavelmente poucas dezenas.

Hoje, no entanto, é diferente. Sinto-me no vazio do inferno, numa terra amaldiçoada com a solidão do silêncio.

Estou agora deitado, num quarto quente e acolhedor, decorado à antiga, mobília provavelmente mais velha que eu, por sua vez decorada com várias fotografias de família. Ironicamente à minha frente estou eu, em infante. Digo ironicamente pois também à minha frente está um grande espelho. Sou eu a dobrar. Algures no trajecto que agora me trouxe aqui eu fui aquela criança, cujo momento de captura não faço ideia quando foi. Não consigo deixar de me sentir enjoado com tudo isto. Acho que já em criança previa o que me ia acontecer. Sempre disseram-me que era inteligente, só nunca pensei ser tão burro.

Também no espelho vejo o enorme crucifixo de madeira por cima da minha cabeça. A cruz deve ter cerca de 25 centímetros, e esticado deve chegar a 1 metro. Foi impossível não me aperceber dele quando entrei no quarto, mas só agora me recordei do meu achado ontem no carro, o misterioso crucifixo dentro da avelã em plástico.

Este momento, esta pausa, e o dia de amanhã, porém, acredito terem vindo em boa hora. Pensar e descansar acho que me fará bem. Foram dias muito intensos e difíceis de digerir. Foram também muito importantes, pois finalmente descobri algo sobre mim mesmo, algo que procurava há já demasiado tempo. Várias coisas até. Relembrei pessoas e sentimentos, e no final do dia não ter virado as costas acho que ajudará no futuro, apesar do peso do presente. Nota especial para a filha que eu nunca tive. Incrível como adoro aquela peste.

Agora, os segundos parecem passar mais lentamente que o tempo no seu estado normal. Juro. Ao meu lado está um relógio que até parece moderno, mas toca alto como aqueles velhinhos de corda.

O ridículo nisto? Está uma joaninha daquelas que por vezes acompanha os ramos de flores colada ao candeeiro de mesa ao meu lado. Precisamente igual ao que tenho ao lado da minha cama na estante. Isto não está a ajudar. Nada.

O que me esperarão os próximos dias? Se me lembrar amanhã tiro foto, porque começo a nem acreditar em mim próprio. Esta sucessão de eventos começa-me a assustar.

Tuesday, July 21, 2009

Cruciform

Antes de sair para a feira, por algum motivo que me transcende, o meu porta-bagagens optou por não cooperar na sua abertura. Podia ter ignorado a coisa, mas amanhã a partida é cedo, e visto que vim com a bagageira cheia era capaz de dar jeito funcionar amanhã.

Abri e fechei os bancos traseiros várias vezes sem já saber o que fazer, até que reparo que tenho... uma avelã em plástico com sensivelmente o tamanho de uma real, ou talvez apenas ligeiramente maior, com um crucifixo lá dentro. Um pouco bizarro, mas pouco depois o problema da bagageira lá se resolveu.

Passei as últimas semanas a dizer que o caos estava forte. Muito forte mesmo. O carro funcionou logo. Cruzes mistério não são inéditas, apesar de para mim o serem. E até trouxe a pulseira em cabedal, nem sei bem porquê (claro que sei, e este evento em conjunto deixou-me feliz). E depois do que li, sobre o que o Padre Hoyt e o verdadeiro fim de Duré em Hyperion, eu vejo isto como o caminho.

No entanto, nunca percebi bem qual a noção da Joana e os seus infindáveis achados cruciformes, e quanto ao padre Duré (SPOILER ALERT) acabamos nós por descobrir que, após ter adquirido uma maneira de renascer em caso de morte, ele descobre por sua vez que uma quantidade em excesso de dor poderia fazer recessar o processo de ressuscitação. A solução? Auto-crucificação numa árvore geradora de electricidade, fritando-o, mas, ao contrario do que esperava, não o suficiente para eliminar o método de ressuscitação. Foi encontrado 7 anos depois, sem pele, cego e com grande parte do corpo igualmente corrompido, num estado de perpetua regeneração e como tal de enorme sofrimento.

Prefiro não tirar conclusões e deixar-me pelos sinais.

E o crucifixo no carro? Onde me vai levar amanhã?
E as 4 horas de sono agora?
E eu não ter sono?
E o café amanhã?

Tem sido uma semana de caos e revelação. As minhas convicções provam-se uma vez mais.
Quarta poderei reflectir mas sobre os últimos dias.

Monday, July 21, 2008

Acampamento Medieval de Óbidos 2008

E assim foi.
Desde o passado dia 8 de Julho até hoje, dia 21, que me pude dar ao luxo de estar acampado com a Companhia Livre no Acampamento Medieval Internacional em Óbidos, durante o seu respectivo Mercado Medieval.
Francamente nem sei como começar, excepto que foi incrível.

Parece ontem que lá chegamos e agora... acabou.
Recordo todos os instantes, ou quase, a começar pela algazarra que foi empacotar TUDO na camioneta (sensação infelizmente relembrada hoje), por lentamente irmos montando tenda após tenda até termos o espaço que todos vimos.

A aventura que foi meter tudo o que tínhamos num pequeno (grande) baú emprestado pelo Nuno Serra, e como soube bem ver finalmente arrumada e apresentada a nossa casa (tenda), local onde dormimos todos os dias até hoje. Foi um dia longo, e ainda éramos poucos presentes: Eu, Joana, Nuno, Paulo, Inês e Xana, em que entretanto lá se juntaram alguns Belgas (perdoem-me, mas quem me conhece sabe que eu e nomes não nos damos bem).

Foi uma noite passada à volta da fogueira, em bancos de madeira e com muita Jeropiga e Vinho do Porto a acompanhar. Foi uma longa noite de conversa e histórias, das quais muitos sonham a vida toda.

No dia seguinte o acampamento continuou a compor-se: Fernando, Vera, Sara, Quim, Maurício e o Vasco juntam-se à festa (ou será que o Vasco só veio no dia seguinte? E a pipas?! Perdoem-me novamente, foram dias atarefados) Nesse dia juntam-se também os Belgas quase na totalidade, as duas LOUCAS Francesas e os Polacos, não fosse a Joana desaparecer a meio da noite, apenas para eu descobrir que afinal estava no aeroporto de Lisboa à espera deles. No vem-não-vem fomos avançando com a fogueira, com a carne grelhada e com a cervejola, jeropiga, medronho e ginjinha, claro. E lá chegaram os Polacos, mais mortos que vivos, sem sitio para ficar, sem agasalhos, sem comida no estômago e sem duas espadas perdidas no aeroporto (palavras para quê). A comida enche e o álcool aquece, fora a ajuda dos bombeiros, e os tipos lá se safaram.

Até aqui, tirando entre a sua própria nacionalidade, ninguém se conhecia. Não éramos mais do que um conjunto de sujeitos com uma maluqueira em comum e com um trabalho para fazer.

O dia seguinte ia ser o primeiro do Mercado Medieval, quinta-feira, e era preciso ter tudo em ordem. Essa noite foi a primeira vez que pude realmente olhar à minha volta enquanto deitado na minha tenda e realmente apreciar o que se estava a passar ali (adoro acampar): todos os participantes no acampamento estavam ali também a dormir - foi realmente um acampamento medieval onde tentamos ao máximo cumprir com os nossos objectivos de recriação. Bem, estávamos lá todos menos os Polacos que, como disse, nada trouxeram tirando roupa e equipamento para combater, esses dormiram noutro lado.

Começou o Mercado e os dias estavam fracos para nós, não em termos de companheirismo, o qual foi aumentado de dia para dia, conforme nos ia-mos conhecendo, mas no que toca a público. Viemos depois a descobrir que algum iluminado tomou a liberdade de colocar um aviso de passagem proibida no portão onde "acabava" o Mercado, visto que o nosso acampamento era nas traseiras do castelo, fora da zona mercantil. Os poucos visitantes eram os que acompanhavam o desfile indicativo do inicio dos teatros da Vivarte na liça, mesmo ao lado do nosso acampamento, e os conhecedores da zona.

Detectada a falha nos portões gradualmente foi melhorando, deixando a memória que a falta de informação da nossa localização também não deve ter ajudado.

Eventualmente chegou o fim-de-semana, os dias Grandes da feira, e apesar de agendado preferi não combater nesses dias, devido a um certo nervosismo - admito - associado a falhas de equipamento e a termos combatentes com mais experiência. Resolvi comentar isto por dois motivos, primeiro porque a experiência (e o equipamento) são realmente importantes: quem nos conhece sabe que não fazemos teatro. Todos os combatentes da Companhia Livre treinam na Sala de Armas Fiori Dei Liberi e, como tal, procuramos replicar o estilo de combate medieval sem teatragem. No entanto, quando os combates não são encenados as probabilidade de lesões com todo o tipo de risco são bem reais, e tirando a Xana, parece-me, todos nós levámos uma fatia de aço a mais na pele.

É isto que nos faz andar para a frente em termos de Esgrima Medieval - a adrenalina - o querer dar um bom espectáculo, emocionante e no entanto sem teatrices. Tivemos bastantes momentos assim e sinto-me orgulhoso do que fizemos, pois sei agora que podemos fazer muito mais. Para mim foi uma estreia combater com arnês e com alguns elementos do modo que foi, e sem nos conhecermos a coisa saiu bem. Quando todos na equipa nos conhecermos bem eu sei que iremos dar espectáculos memoráveis e até lá vamos todos lutar para isso. As coisas levam o seu tempo, como a preparação e arranjar todo o equipamento necessário ($$) e ao nosso gosto.

Aproveito o momento para agradecer a todos os que viram os nosso combates, que aplaudiram, que se emocionaram e gostaram, pois são esses que nos deram força. Aos restantes fica o desejo de talvez no futuro agradar - vamos certamente lutar por isso.

Fico-me agora por aqui pois foi um longo dia... desmontar o acampamento, carregar carrinhas, descarregar carrinhas, etc! E desde que cheguei ainda nem comi nem tomei banho para poder estar aqui a desanuviar! :P


Combat from MKM on Vimeo